Geral Pernambuco
Ex-comandantes colocam Bolsonaro na condução de uma trama golpista
Nesta sexta-feira, 15, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF)
16/03/2024 12h01
Por: Márcio Rodrigues Fonte: folhape
Jair Bolsonaro, ex-presidente do Brasil - Foto: Alan Santos/PR

Depoimentos dos ex-comandantes do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, e da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista Junior, colocam o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como o principal condutor de uma tentativa de golpe de Estado.

Nesta sexta-feira, 15, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou o sigilo das audiências de ex-integrantes da cúpula das Forças Armadas, de ex-ministros de Estado e de ex-auxiliares de Bolsonaro no inquérito aberto pela Polícia Federal para apurar a suspeita de uma trama golpista.

Os depoimentos dão detalhes dos encontros convocados por Bolsonaro - que já haviam sido citados na delação do ex-ajudante de ordens da Presidência, tenente-coronel Mauro Cid -, e ainda implicam ex-integrantes do governo do ex-presidente, como o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira, que teria apresentado uma das versões da "minuta de golpe" aos ex-comandantes das Forças Armadas; e o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, que teria explicado aspectos jurídicos para embasar as medidas de exceção consideradas por Bolsonaro (mais informações na pág. A10).

Ouvido pela PF, em Brasília, no dia 1.º de março, o general Freire Gomes afirmou que Bolsonaro convocou reuniões no Palácio da Alvorada, após o segundo turno das eleições de 2022, e "apresentou hipóteses de utilização de institutos jurídicos como GLO (Garantia da Lei e da Ordem) e estado de defesa e sítio em relação ao processo eleitoral".

Freire Gomes alegou que "sempre deixou evidenciado ao então presidente que o Exército não participaria da implementação desses institutos visando reverter o processo eleitoral" e Bolsonaro "não teria suporte jurídico" para anular o resultado da eleição.