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ECA Digital impõe novas regras para crianças on-line

Especialistas explicam as mudanças e destacam o papel da escola na educação digital

Por: Márcio Rodrigues Fonte: Agência Dino
20/03/2026 às 17h58
ECA Digital impõe novas regras para crianças on-line
Os Pedagógicos

Entrou em vigor nesta terça-feira (17/3) o chamado ECA Digital, o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (Lei nº 15.211/2025). A legislação é a primeira no país a estabelecer regras específicas e prever punições aplicáveis às plataformas digitais com o objetivo de ampliar a proteção de crianças e adolescentes no ambiente on-line.

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Sancionada em 17 de setembro de 2025, a lei complementa o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), de 1990, estendendo suas garantias fundamentais ao universo digital. O texto estabelece normas voltadas especialmente para redes sociais, aplicativos, jogos eletrônicos e outros serviços digitais amplamente utilizados por menores.

"Com a nova legislação, os direitos previstos no ECA passam a contar com instrumentos de implementação também no espaço virtual, com responsabilidades compartilhadas entre Estado, família, sociedade e empresas de tecnologia", explica o advogado Rafael Gomiero Pitta, professor do curso de Direito no Centro Universitário UNICEPLAC.

Entre as principais medidas previstas estão a obrigatoriedade de mecanismos confiáveis de verificação de idade, ferramentas de supervisão parental e restrições à publicidade direcionada a crianças e adolescentes. Além disso, menores de até 16 anos só poderão acessar redes sociais caso a conta esteja vinculada à de um responsável, com recursos claros para monitorar tempo de uso, contatos e conteúdos acessados.

"A lei busca aprimorar a transparência sobre conteúdos inapropriados, além de fortalecer mecanismos de monitoramento e restrição desse tipo de material. Também há um avanço importante na exigência de sistemas mais eficazes de verificação de idade para contas operadas por menores", afirma Pitta.

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Plataformas que descumprirem as regras poderão sofrer sanções que vão desde multas até a suspensão das atividades ou até mesmo a proibição de funcionamento no país.

O avanço da legislação ocorre em um contexto de crescimento expressivo do uso da internet por crianças e adolescentes. Segundo a edição 2024 da pesquisa TIC Kids Online Brasil, 92% dos brasileiros entre 9 e 17 anos utilizam a internet, o que representa cerca de 24,5 milhões de pessoas.

Com o aumento da presença digital, também cresceram os riscos. Estudos nacionais e internacionais indicam o avanço de casos de cyberbullying, ofensas, humilhações ou ameaças feitas pela internet ou por celular, além da exposição a conteúdos inadequados, exploração sexual on-line e coleta abusiva de dados.

Ainda de acordo com a pesquisa da TIC Kids Online Brasil, três em cada dez crianças e adolescentes (29%) já passaram por situações ofensivas ou discriminatórias na internet que os deixaram chateados. O levantamento também aponta que 30% desse público já tiveram contato com pessoas desconhecidas na rede.

O papel das escolas

Especialista em educação e sócio-diretor do preparatório Os Pedagógicos, Carlinhos Costa lembra que o tema dos direitos da criança e do adolescente já faz parte das diretrizes educacionais brasileiras. "A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional prevê que esses conteúdos sejam trabalhados com os estudantes. Por isso, a escola também tem um papel importante em informar as famílias sobre as mudanças trazidas pelo ECA Digital e em estimular o uso equilibrado das tecnologias", ressalta.

Segundo o especialista, mais do que ensinar a utilizar ferramentas digitais, é necessário investir em educação digital e no desenvolvimento do pensamento crítico, ajudando os estudantes a reconhecer os riscos presentes no ambiente on-line, como notícias falsas, propagandas enganosas e o uso excessivo de aplicativos.

Entre as ações que podem ser adotadas pelas escolas estão a realização de projetos de educação digital, debates sobre ética e comportamento nas redes sociais, oficinas sobre identificação de fake news, além de palestras e encontros com especialistas para orientar alunos e famílias sobre segurança na internet. As instituições também podem incluir o tema em disciplinas ou projetos interdisciplinares, discutir casos reais de cyberbullying em atividades pedagógicas e promover campanhas internas de conscientização sobre o uso saudável das tecnologias.

"As escolas precisam orientar os alunos para que utilizem a internet de forma consciente e segura. Isso envolve desenvolver senso crítico para compreender os riscos das redes e também promover ações de conscientização com toda a comunidade escolar", conclui Carlinhos Costa.

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