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Crise de autonomia faz CEO de empresa familiar sair cedo

CEOs externos têm melhor desempenho (ROA de 4,08% vs. 3,22%), mas a falta de governança limita sua atuação estratégica. O perfil predominante é de ...

Por: Márcio Rodrigues Fonte: Agência Dino
31/03/2026 às 14h17
Crise de autonomia faz CEO de empresa familiar sair cedo
Unsplash

O mercado corporativo brasileiro enfrenta um desafio silencioso, mas de alto impacto no Produto Interno Bruto (PIB): a instabilidade na cadeira do CEO nas grandes empresas familiares. Uma pesquisa inédita realizada pela Fundação Dom Cabral (FDC), com patrocínio da Grant Thornton Brasil, revela que a saída prematura desses executivos está raramente ligada à falta de competência técnica ou ao descumprimento de metas financeiras. O verdadeiro gargalo reside na dificuldade de navegar em um ambiente em que a gestão técnica é constantemente confrontada por um "organograma invisível" de influências emocionais e políticas.

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O estudo, que mergulhou na realidade de 22 organizações com faturamento de até R$ 4 bilhões, traça um perfil sênior desses líderes: a maioria possui entre 50 e 69 anos, com sólida formação em Engenharia ou Administração.

Embora 60% da amostra seja composta por profissionais externos, contratados justamente para trazer a necessária profissionalização, a realidade do dia a dia revela uma barreira invisível. Esses executivos muitas vezes se veem no papel de "equilibristas", tentando mediar conflitos entre herdeiros e fundadores, o que gera um isolamento estratégico descrito pelos próprios entrevistados como uma "solidão no topo".

Um dos dados do levantamento refere-se à fragilidade da governança. Enquanto 52% das empresas operam apenas com Conselhos Consultivos, a falta de órgãos deliberativos independentes faz com que as decisões estratégicas sejam frequentemente tomadas fora das salas de reunião oficiais.

De acordo com a professora Elismar Álvares, curadora do Family Business da FDC, a autonomia do CEO é diretamente proporcional à maturidade da governança: onde as regras não são claras, a confiança pessoal acaba pesando mais do que as métricas de desempenho.

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"As empresas familiares são um dos grandes motores da economia brasileira, mas sua complexidade não está apenas na estratégia. Ela surge na interseção entre família, propriedade e gestão. Nesse contexto, o papel do CEO é fundamental para equilibrar expectativas, construir confiança e transformar relações em uma governança estruturada que contribua para a continuidade do negócio", afirma Daniel Maranhão, CEO da Grant Thornton Brasil.

A eficiência financeira também entra no debate com números contundentes. O relatório aponta que empresas sob o comando de CEOs externos apresentam um retorno sobre ativos (ROA) médio de 4,08%, um desempenho superior aos 3,22% registrados em gestões familiares.

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