Política presidente sem apoio
Com Rafael Fonteles na colinha e Lula fora dela, prefeitos piauienses evitam declarar voto para presidente
Aliados do governador exibem a chapa estadual, mas deixam a eleição presidencial em aberto diante dos eleitores.
25/09/2026 10h51
Por: Márcio Rodrigues Fonte: Santana News
Com Rafael Fonteles na colinha e Lula fora dela, prefeitos piauienses evitam declarar voto para presidente - Foto: Divulgação

Há prefeitos piauienses que não hesitam em se apresentar como integrantes do “Time do Povo”, grupo político liderado pelo governador Rafael Fonteles (PT). Aparecem em eventos, pedem votos para os candidatos da chapa estadual e divulgam as tradicionais colinhas eleitorais. A segurança desaparece quando chega a vez de indicar um nome para presidente. Em muitas dessas peças, o voto presidencial simplesmente não aparece.

A ausência chama atenção porque Lula é candidato à reeleição pelo mesmo partido de Rafael Fonteles. O prefeito que anuncia apoio ao governador, mas evita dizer se vota no presidente, estabelece um limite para a própria aliança. Quer ser reconhecido como aliado do grupo governista no Piauí, sem assumir publicamente uma das principais candidaturas defendidas por esse grupo.

As colinhas tornam esse malabarismo visível. Não se trata de falta de espaço para mais um número: o eleitor votará para presidente em 2026, e a Justiça Eleitoral inclui o cargo nas orientações para preparar a anotação levada à cabine. Quando um material de campanha indica candidatos para outros cargos e deixa de fora a Presidência, essa seleção também comunica uma posição política, ainda que seja a de evitar uma declaração.

A conta feita por esses prefeitos parece clara. Declarar apoio a Lula pode contrariar aliados locais ou eleitores que rejeitam o presidente. Declarar apoio a um adversário, por sua vez, exporia uma divergência com o governador petista e poderia causar desgaste diante de parte expressiva do eleitorado piauiense. No segundo turno de 2022, Lula recebeu 76,86% dos votos válidos no Piauí, seu maior percentual entre os estados. A saída encontrada por alguns gestores é pedir votos para a chapa estadual e deixar que cada eleitor complete, por conta própria, a última linha da colinha.

Essa leitura não significa que todos os prefeitos sem Lula no material votarão contra ele. Também não permite afirmar que cada omissão tenha exatamente o mesmo motivo. Mas o silêncio repetido tem consequência pública: impede que o eleitor saiba se o apoio anunciado a Rafael Fonteles inclui o candidato do PT à Presidência. Para quem ocupa uma prefeitura e participa ativamente da campanha, trata-se de uma posição que pode ser cobrada.

O contraste é o ponto central. Esses gestores têm coragem para aparecer ao lado do governador e usar a força política do “Time do Povo” em seus municípios. Na hora de declarar voto em Lula, porém, preferem deixar a resposta fora do discurso e, muitas vezes, fora da colinha. É uma forma de tentar preservar apoios em lados diferentes da disputa sem precisar explicar ao eleitor até onde vai a própria aliança.

fonte: lupa1