Polícia Monstruosidade
Padrasto tinha “nojo” da família e chamava crianças envenenadas de “primatas”
Francisco de Assis Pereira foi preso temporariamente. Polícia diz que ele “sentia desprezo e raiva de Francisca” e dos filhos dela.
08/01/2025 15h46
Por: Redação Fonte: berlengas News
Francisco de Assis Pereira foi preso por suspeita de envenenar sua família em Parnaíba

Desprezo, raiva e nojo. São estes os sentimentos que, segundo a polícia, Francisco de Assis Pereira tinha pela família com que vivia. Ele é o padrasto de Francisca Maria Silva, mãe das cinco crianças envenenadas em Parnaíba e que acabou morrendo também vítima de envenenamento. As palavras foram ditas pelo próprio Francisco em depoimento ao delegado Abimael Silva, que coordena o inquérito. Abimael afirma que ainda é cedo para confirmar a autoria dos envenenamentos, mas que o comportamento de Francisco para com a família aponta para uma motivação plausível.

Segundo o delegado, o padrasto não falava com nenhum de seus enteados e se referia aos filhos de Francisca como “primatas, não higiênicos e que viviam como uma tribo de índios”.

Ele falou em depoimento que eram pessoas com as quais ele não conseguia conviver. Quanto à Francisca, ele costumava dizer que ela era uma criatura que tinha uma mente tola, matuta, que não serve para nada, que passa o dia escutando música de mala. Chegou a falar para a mãe dela que a Francisca não procurava um homem que trabalha, só procurava mala e mais de uma vez manifestou desejo que ela saísse de casa.

Delegado Abimael Silva / Policia Civil

Para a polícia, a personalidade de Francisco de Assis é “complexa” e ele falava de forma espontânea sobre o desprezo que tinha pela família. Para garantir a segurança dos parentes e evitar que a sociedade revide de alguma forma o que para a polícia ainda é uma suspeita – a autoria ainda não foi comprovada – Francisco permanecerá preso temporariamente. A polícia tem de 30 dias para concluis o inquérito, mas este prazo pode ser prorrogado havendo necessidade.

Estamos diante de psicopAitia criminal", diz delegado

Chamou a atenção da polícia o fato de Francisco de Assis reclamar mais de uma vez de ter que, nas palavras dele, “sustentar a família inteira”. O padrasto era o único que trabalhava e tinha uma renda fixa na casa. Os demais integrantes recebiam benefícios assistenciais como Bolsa Família. Francisco demonstrava raiva e incômodo em ser o que chamava de mantenedor da casa e mantinha suas coisas guardadas em separado do restante da família.

Dentro de um baú trancado que ficava ao lado do fogão da cozinha, a polícia encontrou alimentos de consumo pessoal dele além de material gráfico (livros e revistas em quadrinho) com conteúdo de cunho nazista. Francisco tinha ainda uma casa da qual somente ele tinha conhecimento e à qual só ele tinha acesso. Neste imóvel, a polícia encontrou mais material relacionado ao Nazismo tanto em publicações quanto em mídias digitais.

Em depoimento, ele disse que lia este tipo de conteúdo por curiosidade. A polícia diz que ainda é cedo para relacionar este comportamento com o ocorrido com a família e suspeita de ser Francisco o autor dos envenenamentos. “Vamos fazer uma avaliação para chegar à motivação e à personalidade da pessoa. Temos crianças como vítimas. É impossível um ser humano envenenar crianças. Estamos diante de uma psicopAitia criminal e nos deparamos com esse material. Apreendemos para poder trabalhar em cima”, explica Abimael Silva. Em poder de Francisco também foram encontrados cartões de banco.

Informações Portal o Dia