
Apesar da avaliação de que o ex-presidente deve ser detido pela tentativa de golpe de Estado, o grupo majoritário não acredita que a punição sairá do papel
A maioria da população brasileira avalia que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deveria ser preso pelo papel desempenhado na trama golpista revelada pela Polícia Federal. Entretanto, a maior parte dos entrevistados diz que o mais provável é que o ex-capitão vá se safar. Os dados são da nova pesquisa do instituto Datafolha, divulgada nesta terça-feira 8.
Veja os resultados:
Você acha que Bolsonaro deveria ser preso?
Apesar de desejar a prisão do ex-presidente, a maioria da população está descrente de que isso vá acontecer. Os índices, inclusive, são muito semelhantes aos da pergunta anterior, mas de ‘sinal trocado’.
Você acredita que Bolsonaro vai ser preso?
O Datafolha ouviu 3.054 pessoas em 172 cidades do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. As entrevistas aconteceram entre os dias 1º e 3 de abril, ou seja, antes da manifestação bolsonarista do último domingo 6 na Avenida Paulista, em São Paulo.
A pesquisa mostrou que no Nordeste, onde o petismo é mais forte, 59% da população gostaria de ver Bolsonaro na cadeia. Na região Sul, onde a extrema-direita tem mais adeptos, 49% querem que ele fique livre (neste caso há um empate técnico, já que 46% defendem que fique solto).
No último dia 26 de março, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal concluiu a votação e decidiu tornar o capitão reformado réu, após acusação de envolvimento em trama golpista em 2022. E por goleada: cinco votos favoráveis e nenhum contrário.
Além de Bolsonaro, foram aceitas as denúncias contra outras sete pessoas de seu núcleo mais próximo, incluindo os generais Walter Braga Netto (que foi ministro da Casa Civil e da Defesa e candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro em 2022) e Augusto Heleno (ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional).
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
FONTE: Carta Capital
