
A Ultrafarma, rede de farmácias fundada em 2000, foi uma das primeiras a vender medicamentos genéricos e ganhou fama ao investir pesadamente em anúncios na TV, com o próprio Sidney exaltando as vantagens de seus preços mais baixos que a concorrência.
Original do Paraná
Oliveira nasceu em Nova Olímpia, no interior do Paraná, numa família de dez irmãos. De origem humilde, começou a trabalhar em uma farmácia da cidade aos 9 anos de idade e foi alfabetizado pelo Movimento Brasileiro de Alfabetização de Jovens e Adultos, o antigo Mobral.
Ainda no Paraná, fundou uma rede que chegou a ter 12 farmácias, mas vendeu o negócio e mudou-se para São Paulo, já que era difícil concorrer com outras redes no modelo de negócio tradicional. Na capital paulista, criou a Ultrafarma baseada em vendas por telefone e internet, com preços baixos.
Nas propagandas de TV, tornou-se o rosto da Ultrafarma, defendendo junto ao público os benefícios dos medicamentos genéricos. Tentava sempre manter um canal aberto de diálogo com os clientes, um diferencial de seu negócio.
Em diversas entrevistas, o empresário disse que sentia pena das pessoas pobres que não tinham acesso a medicamentos e, por isso, decidiu fundar uma rede de farmácias para oferecer produtos com preços mais acessíveis.
Centralizador e workaholic
Oliveira já se declarou centralizador e workaholic. Uma das parcerias da Ultrafarma foi com o Grupo Cimed, indústria farmacêutica brasileira, levando ao lançamento de medicamentos genéricos com a marca da Ultrafarma.
Católico praticante, o empresário é pai de dez filhos de diferentes casamentos. Oliveira já enfrentou um processo judicial contra uma de suas ex-mulheres, Áurea Lima, que questionou a divisão dos bens e tentou afastá-lo do comando da Ultrafarma.
Quando começou seu empreendimento, Oliveira foi acusado de envolvimento em casos de sonegação de impostos, fraudes na gestão e até de receptação de carga roubada, acusações que ele sempre negou. Ele sempre negou as acusações e dizia que se essas denúncias fossem verdadeiras, já teria sido preso.
Mas em 2007, o empresário passou a responder a um processo de sonegação fiscal movido pela Fazenda Pública Estadual na 2a Vara do Foro de Santa Isabel. Ele também negou essa denúncia e dizia que na Ultrafarma não havia sonegação de impostos, embora isso não diminuísse sua insatisfação com a carga tributária brasileira, disse ele numa entrevista.
O empresário também enfrentou outros processos relacionados à sonegação de tributos. Em 2019, a Justiça Federal de São Paulo chegou a determinar o bloqueio dos bens de Oliveira, segundo o jornal Valor. Ao periódico, o empresário declarou, em entrevista de 2016, que as acusações de sonegação eram fruto de “armação”, que seriam uma reação às políticas comerciais agressivas da Ultrafarma.
A política comercial, segundo pessoas com conhecimento do negócio, é baseada em negociações diretas com fornecedores, para comprar em grandes quantidades. A rede, que tem poucas lojas próprias, mas muitas licenciadas, ganhou destaque no comércio eletrônico — segundo a empresa, são mais de 1 milhão de clientes ativos e 15 mil itens à venda no site.
FONTE: O Globo
