
Durante a manhã da última terça-feira (19), a Polícia Federal realizou a “Operação Contragolpe”, investigação que mira uma organização criminosa, responsável por planejar os assassinatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro Alexandre de Moraes (STF). De acordo com a PF, a ideia do grupo era dar um golpe de Estado após o resultado da eleição presidencial de 2022.
Ao longo da decisão que embasou essa ação, o nome do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é citado algumas vezes.
Ministros ouvidos reservadamente pela analista da CNN, Luísa Martins, dizem que a relação entre o ex-presidente e os militares presos na tarde de ontem ficou bem detalhada no relatório.
A operação tomou como base um documento elaborado por um dos alvos da investigação, o general Mario Fernandes, que é ex-assessor de Jair Bolsonaro.
De acordo com a PF, Fernandes foi o responsável por organizar, em tópicos, todo o planejamento das “operações clandestinas” e as execuções de Lula, Alckmin e Moraes.
O documento estava em um arquivo de Word, denominado inicialmente como “Fox_2017.docx”. Depois passou a ser intitulado como “Punhal Verde e Amarelo”.
A Polícia Federal identificou pelo menos dois momentos em que Mario Fernandes e Bolsonaro estiveram no mesmo ambiente, no período em que, de acordo com as investigações, era realizado o planejamento do golpe.
O primeiro deles ocorreu em 6 de dezembro de 2022, dia em que Fernandes imprimiu, no Palácio do Planalto, o documento “Punhal Verde”.
“Desta forma, conforme exposto, fica evidenciado que, no dia 06/12/2022, no horário em que o secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência, general MARIO FERNANDES imprimiu o documento “Plj.docx” (18h09min), possivelmente relacionado ao planejamento operacional da ação clandestina para prender/executar o ministro ALEXANDRE DE MORAES e assassinar o presidente e vice-presidente eleitos LULA e GERALDO ALCKMIN, o então presidente da República JAIR BOLSONARO também estava no Palácio do Planalto. No mesmo período, verificou-se também a presença concomitante, na região do palácio do Planalto, de MAURO CID e RAFAEL DE OLIVEIRA“, afirma a PF no documento.
O segundo momento foi apenas dois dias depois, em 8 de dezembro de 2022, quando o general foi ao Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente (na época, Jair Bolsonaro), onde permaneceu por 40 minutos.
“Os dados do controle de acesso encaminhados à Polícia Federal confirmam que MARIO FERNANDES esteve no Palácio da Alvorada no dia 08/12/2022, chegando às 17h e saindo às 17h40min“, aponta o documento da PF.
De acordo com a PF, nessa mesma data, Fernandes indica ter conversado com Bolsonaro.
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