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Na contramão dos EUA, China oferece parceria com Brasil

China propõe canal para garantir fertilizantes para a safra de verão no Brasil; Diálogo estratégico entre os dois países começa nesta segunda-feira, em Pequim

01/06/2026 às 07h01
Por: Márcio Rodrigues Fonte: Santana News
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Foto / Reprodução
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Enquanto o Brasil vive uma relação turbulenta com o governo de Donald Trump, o Itamaraty aprofunda e intensifica a aproximação com a China. A partir desta segunda-feira, os dois governos se reúnem em Pequim.

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O ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, co-preside, juntamente com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o quinto Diálogo Estratégico China-Brasil. O chanceler brasileiro ainda foi recebido nesta manhã no Grande Palácio do Povo pelo vice-presidente da China, Han Zheng.

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O ICL Notícias apurou que existe, do lado chinês, uma preocupação sobre o impacto que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia representar para o alinhamento do Brasil aos interesses dos EUA. Isso incluiria tanto o comércio, como investimentos, infraestrutura e terras raras.

Se o governo chinês se pronunciou oficialmente contra a ingerência dos EUA em assuntos domésticos brasileiros, como no caso da designação do PCC e do Comando Vermelho como grupos terroristas, a agenda do encontro entre Brasil e China não está sendo pautado pelos acontecimentos em Washington.

No encontro, os dois governos avaliam como o contexto de conflitos armados impactam os países, além do papel do Sul Global e do Brics na realidade internacional.

Em termos comerciais, a corrente de comércio bilateral registrou, pelo décimo ano consecutivo, novo recorde histórico, com US$ 170,9 bilhões. O saldo comercial favorável ao Brasil atingiu US$ 29 bilhões.

Fornecimento para agronegócio

Mas um dos elementos mais estratégicos da agenda é a questão agrícola. Durante as reuniões desta manhã, em Pequim, o ministro do Comércio, Wang Wentao, falou sobre a importância da China como fornecedor de fertilizantes para o agronegócio brasileiro.

Ficou estabelecido que um diálogo técnico será intensificado, já de olho no plantio da próxima safra de versão, no segundo semestre.

Desde o ano passado, a China já supera a Rússia, em volume, e passou a ser o maior fornecedor de fertilizantes para o mercado brasileiro, segundo dados da CNA. Hoje, 26% da importação nacional vem de fornecedores chineses, contra 25% por parte de Moscou.

Ou seja, dois dos parceiros no BRICS respondem por metade do fornecimento de fertilizantes para o Brasil.

Esse dado se mostra ainda mais relevante quando se constata que o Brasil consumiu 49 milhões de toneladas de fertilizantes em 2025. Mas 45 milhões foram importados.

Os dados, no fundo, revelam que existe uma profunda interdependência em matéria de segurança alimentar entre Brasil e China.

A busca por fertilizantes, de fato, passou a ser um dos principais focos da diplomacia brasileira, preocupada com as incertezas sobre o Estreito de Ormuz.

Mauro Vieira, há quinze dias, fez questão de incluir no roteiro de suas viagens Cazaquistão e Uzbequistão, que produzem fertilizantes e podem se tornar novos parceiros do Brasil

Na quarta-feira passada, ele ainda esteve na FIESP e tratou disso com a direção da entidade e com representantes setoriais ligados à agroindústria.

No final da semana passada, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, afirmou que a relação com o Brasil tem sido “prioritária” na aproximação com outros países em desenvolvimento.

De acordo com a agência oficial Xinhua, ela observou que, “nos últimos anos os laços bilaterais mantiveram um sólido ritmo de crescimento”. Segundo Mao, “houve progresso contínuo na construção de uma comunidade sino-brasileira com um futuro compartilhado e estratégias de desenvolvimento sinérgicas, além de resultados frutíferos na cooperação prática em diversas áreas, e que a relação demonstra crescente influência global, estratégica e de longo prazo”.

“Esperamos que, por meio desta visita, ambas as partes consolidem ainda mais a confiança mútua política e estratégica, continuem a progredir na construção de uma comunidade com um futuro compartilhado, demonstrem um senso de responsabilidade na promoção da solidariedade e cooperação entre os países do Sul Global e contribuam para a paz e a estabilidade mundial”, disse a porta-voz.

fonte: icl noticias

 

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