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Avanço das canetas emagrecedoras remodela academias

Com o mercado de agonistas de GLP-1 em expansão acelerada no Brasil, a rede Ultra Academia observa a mudança no perfil de quem procura treino e def...

17/08/2026 às 18h03
Por: Márcio Rodrigues Fonte: Agência Dino
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Divulgação Grupo Ultra/Ultra Academia
Divulgação Grupo Ultra/Ultra Academia

O crescimento do mercado de agonistas do receptor de peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1 (GLP-1), os medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras, alterou a dinâmica do setor fitness brasileiro em menos de cinco anos. Levantamento divulgado pelo portal Metrópoles aponta que a categoria saltou de R$ 1,8 bilhão em 2021 para cerca de R$ 10 bilhões em 2025, enquanto a participação desses produtos no varejo farmacêutico avançou de 3% para 9% no período.

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A escalada acompanha o aumento das doenças crônicas no país. Conforme a pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), cujos dados do Ministério da Saúde foram divulgados em janeiro de 2026, a obesidade entre adultos cresceu 118% entre 2006 e 2024; já a prática de atividade física de deslocamento caiu de 17%, em 2009, para 11,3% em 2024. O excesso de peso alcança 62,6% da população adulta, quadro que ampliou a procura por tratamentos farmacológicos e, ao mesmo tempo, recolocou a atividade física no centro do debate sobre saúde.

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Parte do interesse pelo tema surge de uma preocupação clínica. Estudos reunidos em revisões científicas indicam que uma fração relevante do peso eliminado com esses fármacos corresponde a massa magra, e não apenas a gordura, sobretudo quando o emagrecimento ocorre de forma rápida e sem acompanhamento. A redução muscular diminui o metabolismo de repouso, compromete a força e a mobilidade e pode facilitar o reganho de peso após a interrupção do tratamento, o que levou entidades médicas a recomendarem a combinação com exercícios de força.

Um novo perfil nas academias

Para a Ultra Academia, rede que opera mais de 100 unidades e atende cerca de 300 mil alunos em 16 estados, o movimento redefine quem procura o treino. O gerente de operações da empresa, Guilherme Lacerda, observa que pessoas antes afastadas da rotina de exercícios por excesso de peso, dores articulares ou baixa autoestima passaram a dar o primeiro passo com mais facilidade, o que aproxima do ambiente de treino um público que antes não o frequentava.

Segundo Lacerda, esse deslocamento amplia a função das academias para além da perda de peso. "Para o mercado fitness, isso representa uma oportunidade e não uma ameaça. A academia deixa de ser vista apenas como um local para emagrecer e passa a ser reconhecida como um ambiente de promoção da saúde, ganho de força, preservação da massa muscular, melhora da qualidade de vida e manutenção dos resultados obtidos com o tratamento medicamentoso", afirma.

Exercício como parte do tratamento

O executivo pondera que existe consenso científico sobre a necessidade de associar o uso desses medicamentos ao treinamento de força. De acordo com ele, os fármacos reduzem o apetite e a ingestão calórica, o que favorece o emagrecimento, mas parte do peso perdido pode ser massa muscular; o estímulo do treino resistido seria justamente o sinal de que o organismo precisa para conservar a musculatura durante o processo. Lacerda acrescenta que, entre pessoas mais velhas, a perda acelerada de músculo pode agravar a sarcopenia, condição que diminui a força e eleva o risco de quedas.

"Manter a massa muscular significa preservar o metabolismo, melhorar a capacidade funcional, reduzir o risco de lesões, melhorar a postura, o equilíbrio e garantir que o paciente não apenas pese menos, mas tenha uma composição corporal muito melhor", avalia o gerente de operações.

Diante da expectativa de que esse público cresça, a rede afirma preparar suas equipes para orientar metas que vão além da balança, como preservação de massa muscular, ganho de força, melhora da mobilidade e construção de hábitos duradouros. A empresa também defende a integração entre médico, nutricionista e profissional de educação física e diz investir em avaliações físicas periódicas e em acompanhamento mais próximo dos alunos que utilizam a medicação.

O cenário aponta para uma aproximação maior entre medicina e exercício físico no cuidado de doenças crônicas como obesidade, diabetes e hipertensão. Na leitura de Lacerda, academias que oferecem apenas acesso a equipamentos tendem a perder espaço para modelos centrados em acompanhamento e orientação em saúde.

O gerente de operações resume que os medicamentos podem iniciar a transformação, mas são os hábitos, sobretudo a prática regular de exercícios, que a tornam duradoura, síntese que conecta a expansão das canetas emagrecedoras ao papel assumido pelas academias nesse novo estágio do mercado.

Para saber mais, basta acessar: https://www.ultraacademia.com.br

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