
O deputado estadual Luiz Fernando Guerra (Novo) protocolou na Assembleia Legislativa do Paraná o projeto de lei 826/2026, que assegura a disponibilização gratuita da vacina contra o herpes-zóster, conhecido popularmente como “cobreiro”, na rede pública estadual de saúde para pessoas com 50 anos ou mais. A proposta busca ampliar o acesso à imunização, especialmente para quem não tem condições de arcar com os custos da vacina na rede privada, onde o esquema de duas doses pode chegar a aproximadamente R$ 1.800.
Provocado pela reativação do mesmo vírus responsável pela catapora, o herpes-zóster pode se manifestar anos ou até décadas após a infecção inicial. A doença provoca erupções e lesões dolorosas na pele e atinge com maior frequência pessoas mais velhas e aquelas com o sistema imunológico comprometido.
Uma das complicações mais preocupantes é a neuralgia pós-herpética, caracterizada por dores persistentes nos nervos, que podem continuar por meses ou até anos após o desaparecimento das lesões. Em casos mais graves, a condição compromete atividades cotidianas, o sono, a autonomia e a qualidade de vida dos pacientes.
De acordo com a justificativa apresentada pelo parlamentar, a proposta considera o envelhecimento da população paranaense e a necessidade de ampliar as políticas públicas de prevenção. Dados do Censo Demográfico de 2022 apontam que o Paraná possui aproximadamente 1,9 milhão de habitantes com 60 anos ou mais, o equivalente a cerca de 16% da população estadual.
Para Guerra, o projeto coloca em discussão uma medida de saúde preventiva voltada especialmente à população que enfrenta maiores riscos de desenvolver complicações da doença.
“Estamos falando de uma doença que pode provocar dores intensas e deixar consequências por muito tempo, especialmente entre as pessoas mais velhas. A vacina existe, mas seu custo ainda é uma barreira para muitas famílias. O projeto busca ampliar esse acesso e permitir que mais paranaenses tenham a oportunidade de se proteger”, afirma o deputado.
A definição da faixa etária a partir dos 50 anos considera evidências científicas sobre o aumento da incidência do herpes-zóster com o avanço da idade. Estudos clínicos de grande porte com a vacina recombinante, envolvendo mais de 30 mil participantes, registraram eficácia superior a 90% na prevenção da doença em diferentes faixas etárias a partir dos 50 anos.
A prevenção também pode contribuir para reduzir a ocorrência de complicações que exigem acompanhamento médico prolongado, uso de medicamentos e, em determinadas situações, atendimento hospitalar.
“Quando falamos em prevenção, estamos falando de cuidar das pessoas antes que a doença provoque consequências mais graves. Além de evitar sofrimento, a vacinação pode contribuir para reduzir a necessidade de tratamentos prolongados. É uma discussão importante para a saúde pública e para o envelhecimento saudável da nossa população”, destaca Guerra.
O Projeto de Lei nº 826/2026 passará pela análise das comissões competentes da Assembleia Legislativa antes da votação em plenário. Caso seja aprovado e sancionado, a proposta estabelecerá a previsão legal de disponibilização do imunizante pela rede pública estadual, conforme as regras aplicáveis à sua implementação.
Sobre o herpes-zóster
O herpes-zóster é uma doença causada pelo vírus varicela-zóster, o mesmo responsável pela catapora. Após a infecção inicial, o vírus permanece inativo no organismo e pode voltar a se manifestar anos depois.
Entre os sintomas mais comuns estão dor, ardência, formigamento e o aparecimento de pequenas bolhas na pele, geralmente concentradas em uma região do corpo.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece que a incidência da doença aumenta a partir dos 50 anos e que a vacinação pode reduzir significativamente o risco de herpes-zóster e de neuralgia pós-herpética, uma de suas principais complicações.
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