Atualmente, é comum ver nas redes sociais e em movimentos políticos um debate fervoroso em que esses termos são usados para atacar ou defender posições. Contudo, muitos não conhecem a origem e o significado dessas palavras. Neste texto, vou tentar esclarecer esse tema de maneira clara, focando no contexto histórico.
A história começa em 1789, na França. Naquela época, o país era governado por um rei absolutista e opressor, o que resultava em uma população extremamente pobre. A sociedade francesa era dividida em estamentos, o que significava que as pessoas estavam presas à classe social em que nasceram, sem possibilidade de ascensão. Cerca de 97% da população vivia em condições difíceis, sustentando os 3% que pertenciam à nobreza e à igreja. A corte e o rei desfrutavam de um luxo excessivo. A burguesia, que estava em ascensão financeira, mas sem poder político, inspirada pelos ideais iluministas, começou a articular um movimento político que rapidamente ganhou apoio popular, levando à queda da monarquia.
O rei Luís XVI e a rainha Maria Antonieta foram executados na guilhotina. Sob o lema "igualdade, liberdade e fraternidade", foi proclamada a república e criado o parlamento francês. Com a nova administração, surgiram facções políticas: os girondinos, a planície e os jacobinos. É aqui que surgem os termos que discutimos. Durante as sessões do parlamento, as cadeiras eram organizadas da seguinte forma: os girondinos, que representavam os burgueses ricos e desejavam limitar as conquistas políticas do restante da população, sentavam-se à direita; os membros da planície, que não tinham uma posição definida e apoiavam o lado em vantagem, ocupavam o centro; e os jacobinos, que representavam pequenos comerciantes e trabalhadores rurais e urbanos, sentavam-se à esquerda.

Enquanto a França não alcançava estabilidade política, girondinos e jacobinos se revezavam no poder, sempre com o apoio da planície. Durante a fase jacobina, qualquer um considerado uma ameaça ao governo era executado na guilhotina, período que ficou conhecido como "o Grande Terror".
A França experimentou um breve momento de estabilidade política com a ascensão de Napoleão Bonaparte, que se revelou tão radical quanto os jacobinos, sendo posteriormente derrubado por inimigos estrangeiros com a ajuda das facções francesas. Hoje, nas repúblicas, os termos "direita", "centro" e "esquerda" não correspondem mais à disposição das cadeiras de seus membros.
Por: Nelson Zacarias de Noronha Neto.