
O barulho foi grande. A torcida organizada de prefeitos do Piauí em torno da reeleição de Ciro Nogueira prometia evidenciar a força política e reforçar a imagem do senador diante da operação da Polícia Federal que o colocou no centro do escândalo do Banco Master. Mas o resultado não foi o esperado.
A tradicional Marcha dos Prefeitos a Brasília levou à capital federal os gestores dos municípios piauienses. Na carona do evento, os senadores que concorrem pelo apoio dos políticos. Entre visitas a gabinetes, apertos de mãos, almoços e jantares, ficou a expectativa de quem atrairia mais apoio. Não foi o senador Ciro Nogueira.
Apesar do prefeito de Amarante ter protagonizado cenas excessivas de torcida organizada que beiravam o ridículo, menos de 50 prefeitos compareceram ao jantar de Ciro. Não faltou comida, bebida e gritos de vitória. Mas faltou certeza de que a reeleição é viável.
Um dos prefeitos presentes revelou que foi ao evento “por consideração, mas não tenho convicção que Ciro vence a eleição”, e completou: o cenário mudou.
Muitos dos prefeitos sinalizaram mudança de lado, com gestos, é claro. O próprio prefeito de Amarante, Professor Adriano, o mais animado entre os presentes no tour pelo gabinete no Senado foi fotografado com Júlio César e Marcelo Castro. Uma foto pode não dizer nada - ou pode dizer tudo.
“Nada nem ninguém vai me impedir de seguir trabalhando pelo Piauí”, disse Ciro.
Em oito de maio, uma ordem de sequestro e indisponibilidade de uma aeronave do senador foi emitida pelo ministro André Mendonça, do STF. A medida não consta na decisão que autorizou a operação da PF contra Nogueira em 7 de maio, mas aparece em documentos oficiais da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).
O avião é um Beech Aircraft modelo B200. Conforme os registros da Anac, o senador vendeu a aeronave em 2023 por US$ 2 milhões, o equivalente a cerca de R$ 10 milhões, para o cantor de forró Luan Estilizado e uma empresa de Netinho Lins.
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