O Tribunal do Júri realizado nesta quarta-feira, dia 21, no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, condenou Sérgio Ferreira de Jesus a 23 anos e nove meses de prisão pelo homicídio de Maria Bernadete Pacífico, conhecida como Mãe Bernadete. Ele foi condenado por homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido.
Durante o julgamento, a atuação do Ministério Público destacou a articulação criminosa e a motivação do assassinato, vinculada à atuação de Mãe Bernadete contra a expansão do tráfico de drogas no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. Segundo as investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), Sérgio Ferreira, padrasto de Arielson da Conceição Santos, um dos executores do homicídio, participou diretamente da organização do crime. As apurações apontaram que ele contribuiu para fomentar junto a “Maquinista”, apontado como líder do tráfico de drogas na localidade, a motivação para o assassinato, além de auxiliar os executores para que a ação criminosa fosse concretizada.
Na noite do homicídio, Sérgio Ferreira orientou os executores, Arielson e Josevan Dionísio dos Santos, conhecido como “BZ” ou “Buzuin”, sobre como entrar na casa da vítima sem chamar a atenção e evitar as câmeras de segurança. O crime ocorreu no dia 17 de agosto de 2023, quando Mãe Bernadete estava na sede da Associação Quilombola, acompanhada de três netos. Ainda segundo as apurações, o assassinato foi motivado pela firme oposição da liderança quilombola às atividades ilícitas na comunidade, especialmente à instalação de pontos de venda de drogas e à ocupação irregular de áreas.
Mãe Bernadete teve destacada atuação na luta pela regularização das terras do Quilombo Pitanga dos Palmares e tornou-se uma das principais representantes da causa quilombola no país. Além de Sérgio, já foram condenados pelo crime os executores Arielson da Conceição Santos, Josevan Dionísio dos Santos, o “BZ” ou “Buzuin”, e o mandante Marílio dos Santos.
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