
Apesar da ampla divulgação dos riscos à saúde, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que o tabaco mata mais de 8 milhões de pessoas por ano, das quais 1,3 milhão não fumam, mas são expostas à fumaça. Em Boa Vista, quem deseja parar com a prática encontra uma rede de apoio multidisciplinar na Atenção Primária à Saúde (APS) com os Grupos de Tabagismo. Não é fácil, mas é altamente possível.
Na Unidade Básica de Saúde (UBS) Santa Luzia, o tratamento reúne profissionais de diferentes áreas para ajudar os participantes a enfrentar a dependência e lidar com os desafios da abstinência. O acompanhamento conta com orientações médicas, de enfermagem, consultas psicológicas, odontológicas e nutricionais, além de medicamentos quando necessário.

O acompanhamento faz a diferença para quem participa. A servidora Aguilene dos Prazeres, de 58 anos, fumou durante quatro décadas e, atualmente, está a um mês sem fumar.
“Eu já tinha tentado parar duas vezes e não conseguia. Desta vez deu certo. Senti melhora no meu sono, na disposição e até no cheiro da minha casa e das roupas. O apoio que eu recebo dos profissionais faz toda a diferença para a gente continuar no nosso propósito”, contou.
O primeiro passo é querer parar
Na UBS Santa Luzia, o grupo segue um cronograma de encontro, com reuniões semanais no primeiro mês, quinzenais no segundo e mensais no terceiro. O médico Antônio Salgado, que atua na unidade e no Grupo de Tabagismo, reforçou que a adesão dos participantes ao tratamento é fundamental para alcançar resultados positivos.

“Nos primeiros três meses, a gente associa a abordagem comportamental com medicações como a bupropiona e adesivos de reposição de nicotina. A medicação é uma ferramenta temporária para ajudar a atravessar a fase mais aguda. Depois do primeiro trimestre, os medicamentos são retirados”, explicou.
A participante J.S.N, de 31 anos, começou a fumar aos 15 anos e decidiu procurar o grupo por iniciativa própria. A preocupação com a saúde e o convívio com as duas filhas também contribuíram para a decisão.
“É muito difícil parar, mas os remédios e o acolhimento da equipe ajudam muito. Muita gente não sabe, mas esse acompanhamento é todo gratuito, com médico, dentista e nutricionista. Eu recomendo e vou seguir”, falou.
Atendimento multiprofissional
Um dos apoios que os participantes recebem é o nutricional, desenvolvido em parceria com o curso de Nutrição do Centro Universitário Estácio da Amazônia. Segundo a nutricionista Karol Farias, preceptora do curso, a alimentação pode ser uma aliada durante o tratamento, especialmente para enfrentar a ansiedade e a fissura pelo cigarro.
“A alimentação se torna uma grande aliada no processo de desintoxicação. Por isso, orientamos o consumo de alimentos ricos em fibras, gorduras boas e proteínas para preservar a massa muscular. Para driblar os picos de abstinência, damos dicas simples, como consumir alimentos crocantes, chips artesanais de batata-doce ou cenoura, mascar chicletes sem açúcar e beber água bem gelada”, destacou.

O trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) também contribui para identificar moradores que desejam parar de fumar. “Somos o elo entre a comunidade e a UBS. Durante as visitas domiciliares, a gente conversa com os moradores, identificamos os fumantes e fazemos o convite”, explicou o ACS Rafael Nascimento.
Unidades que contam com Grupo de Tabagismo
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