
Os países do G7 vão debater a criação de uma reserva estratégica de terras raras, na esperança de romper qualquer tipo de dependência em relação aos chineses. A declaração final com forte apoio de Donald Trump deve ser anunciada na quarta-feira e o Brasil foi convidado a fazer parte. Mas a avaliação do governo Lula é de que não há convergência em relação ao posicionamento brasileiro sobre o assunto.
O presidente brasileiro desembarcou em Evian nesta manhã e deve se reunir ainda hoje com Emmanuel Macron, presidente da França.
O tema, porém, é uma das prioridades da agenda do presidente americano, que também desembarca em Evian no final da segunda-feira. A questão é ainda considerada como estratégica para a delegação japonesa, que vem sofrendo restrições ao acesso de minérios exportados pela China.
Por não fazer parte do G7, o Brasil não teve qualquer abertura para propor modificações ao texto ou negociar versões diferentes. Fontes do governo Lula descartaram a adesão do país à iniciativa.
Apesar da pressão de Trump, a criação de um acordo no G7 ainda enfrenta desafios. Recriar uma cadeia de suprimento pode criar impasses e encarecer a produção, alertam os europeus.
Trump e sua equipe estão sendo aguardadas em Evian justamente para apresentar os detalhes de como esperam montar a estrutura. Já os europeus defendem a ideia de criar um organismo governamental dentro da Agência Internacional de Energia (AIE) ou da OCDE para administrar a nova estrutura. Trump, porém, rejeita a ideia e quer que o controle fique dentro da própria Casa Branca.
No mês passado, ministros das Finanças e os governadores dos Bancos Centrais fecharam planos para expandir o investimento em minerais críticos e introduzir padrões de aquisição em meio a crescentes preocupações com a dependência do bloco sobre a China.
Esta é a primeira vez que medidas concretas sobre terras raras serão apresentadas em um comunicado do G7. A minuta da declaração posiciona os minerais críticos como “essenciais para a demanda futura de energia e para a segurança geral” e critica duramente as medidas restritivas da China, afirmando que elas “distorcem os mercados globais e prejudicam a concorrência justa”.
O G7 visa “fortalecer uma cadeia de suprimentos segura, sustentável e resiliente” por meio da expansão do investimento, da reciclagem e da introdução de padrões de aquisição.
Negociadores indicaram ao ICL Notícias que a construção de cadeias de suprimentos que não dependam de um único país é considerada urgente. Além de diversificar as cadeias de suprimentos por meio do apoio ao desenvolvimento de minas, o G7 também está avançando nas discussões sobre a introdução de mecanismos de preço mínimo para evitar a entrada excessiva de produtos chineses a preços baixos.
A França está propondo a criação de um “conjunto de ferramentas comum” que inclui medidas de intervenção, como acordos comerciais estratégicos, preços mínimos, cotas e tarifas.
O governo francês também defende a promoção de “projetos multilaterais” para desenvolver capacidades nacionais de extração e refino, como a fábrica franco-japonesa em construção no sudoeste da França para a produção e reciclagem de terras raras e ímãs. O governo francês investiu € 106 milhões (aproximadamente US$ 115 milhões) no projeto, com o objetivo de atender a toda a demanda da França até 2030.
Novas parcerias com a Índia e alguns países africanos também estão sendo buscadas. Uma nova aliança estratégica entre a França e a Índia inclui, notadamente, uma cooperação ampliada em minerais críticos. O uso de ajuda financeira para incentivar o investimento privado em países em desenvolvimento também está sendo considerado.
fonte: icl noticias
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