
Em João Pessoa, o material eletrônico que antes poderia acabar no lixo atualmente ganha um leque de novas possibilidades de uso. Este é o Recicla JP, projeto criado pela Prefeitura da Capital em 2021, transformando o descarte de resíduos eletrônicos em uma frente de atuação que reúne sustentabilidade, tecnologia, educação ambiental e inclusão social.
Coordenado pela Secretaria de Ciência e Tecnologia (Secitec), em parceria com a Autarquia Especial Municipal de Limpeza Urbana (Emlur), o Recicla JP atua na coleta, triagem, reciclagem e recondicionamento de materiais e equipamentos eletrônicos, além de promover iniciativas de educação ambiental. Após a recuperação, os equipamentos recebem o selo reUSE, sendo posteriormente destinados a projetos e instituições que desenvolvem ações sociais e contribuem para ampliar o acesso à tecnologia.
Ao longo dos anos, a iniciativa expandiu sua atuação, fortalecendo ainda mais atividades voltadas à inclusão social e à geração de renda. Segundo a coordenadora do Centro de Recondicionamento de Eletrônicos (CRE) da Secitec e responsável pelo Recicla JP, Jaqueline Santos, o projeto vem ampliando parcerias com órgãos públicos, secretarias, empresas e outras instituições.
“Quando falamos nos frutos do Recicla JP, não estamos falando somente de retirar lixo eletrônico do meio ambiente. Estamos falando de dar uma nova vida aos equipamentos, gerar inclusão digital, apoiar projetos sociais, trabalhar a educação ambiental e mostrar à população que aquilo que seria descartado pode se transformar em oportunidade”, ressaltou.
No Recicla JP, a Secitec atua principalmente na frente tecnológica, recebendo os equipamentos no CRE, onde são submetidos à triagem para identificar aqueles que podem ser recuperados. Os itens com possibilidade de reaproveitamento passam por recondicionamento, enquanto componentes em bom estado podem ser incorporados ao banco de peças. Após recuperados, os equipamentos são destinados a projetos e instituições atendidos pelo programa. Já os materiais que não apresentam condições de reutilização seguem para a destinação ambientalmente adequada, em parceria com a Emlur.
De modo geral, o trabalho prioriza a redução, a reutilização e o reaproveitamento dos materiais e, quando essas alternativas se esgotam, os resíduos são encaminhados para reciclagem e descarte correto.


Secretarias parceiras – Outras secretarias também participam do Recicla JP, contribuindo com a doação ou transferência de equipamentos, bem como com o desenvolvimento de iniciativas específicas. Entre as parcerias, estão a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semam), que atua na instalação de Pontos de Entrega Voluntária (PEVs), e a Secretaria de Administração Penitenciária da Paraíba (Seap), com ações voltadas à inclusão social e à qualificação profissional de pessoas privadas de liberdade.
De acordo com a coordenadora do projeto, as Penitenciárias Sílvio Porto e Criminalista Geraldo Beltrão receberam equipamentos recondicionados que são destinados à capacitação profissional dos apenados, ampliando o acesso a cursos e oportunidades de formação. “A iniciativa dá nova utilidade a equipamentos que seriam descartados e, ao mesmo tempo, contribui para a educação e a reinserção social dos participantes. Tendo isso em vista, a Prefeitura pretende ampliar a ação para outras unidades prisionais”, afirma Jaqueline Santos.


Já as ações de conscientização, um dos pilares do Recicla JP, costumam ser realizadas em diferentes espaços e eventos, tais como: feiras, exposições, iniciativas ambientais e atividades nas escolas. “Para nós, o mais importante é criar uma mudança de comportamento. Queremos que, quando uma pessoa olhe para um computador, monitor ou celular que não utiliza mais, ela não pense simplesmente em jogar fora. Queremos que ela pense: ‘onde eu posso entregar isso para que tenha a destinação correta ou mesmo venha a ser reaproveitado?’. É essa consciência que o Recicla JP busca construir”, declara a coordenadora do CRE.
Resíduos recebidos – De acordo com dados da Secitec, em 2023, o CRE recebeu e realizou a triagem de aproximadamente 1,5 tonelada de resíduos eletroeletrônicos, resultando no recondicionamento de 328 equipamentos. Em 2024, foi registrado o recolhimento de 4,8 toneladas de resíduos eletrônicos. Já em 2026, somente em uma ação, cerca de três toneladas de resíduos eletrônicos, sem condições de reaproveitamento, foram encaminhadas à Emlur para a destinação ambientalmente adequada.


Como participar – A população pode entregar equipamentos eletrônicos como computadores, monitores, tablets, celulares, teclados e cabos. Empresas e instituições também podem participar por meio de doações e parcerias, contribuindo para ampliar a rede de cooperação do Recicla JP. A recomendação é não descartar esses materiais no lixo comum, devido aos impactos que podem causar ao meio ambiente.
Os Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) disponibilizados pela Prefeitura estão instalados na sede da Secitec, na Rua Estevão Gerson Carneiro da Cunha, 955 – Água Fria; no Instituto Federal da Paraíba (IFPB); na Universidade Federal da Paraíba (UFPB); no estacionamento da empresa Phoebus; e no Parque Parahyba, no bairro do Bessa. O atendimento na Secitec é de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h, ou pelos telefones (83) 98159-1410 e (83) 98160-0326 (WhatsApp).
Já os serviços de Coleta Seletiva e do Cata-Treco da Emlur devem ser solicitados pelo aplicativo ‘João Pessoa na Palma da Mão’ ou pelo ‘Prefeitura Conectada’. No caso de dúvidas, os telefones disponíveis são: 3213-4237, 3213-4238 e 3213-4240.
A população pode ainda descartar resíduos eletrônicos diretamente na sede da Emlur, na Avenida Minas Gerais, nº 177, Bairro dos Estados, ou no Centro-Dia, na Avenida Gouveia Nóbrega, em frente ao Parque Zoobotânico Arruda Câmara (Bica), no Roger.
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