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O Poder Judiciário é hoje quem defende e garante a democracia

Poder Judiciário x fascismo

Por: Redação Fonte: berlengas News
04/04/2025 às 10h40
O Poder Judiciário é hoje quem defende e garante a democracia
O advogado Kakay reconhece que, agora, a Justiça desempenha papel fundamental

“O dia da opressão é a véspera da liberdade”, Machado de Assis

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Há um movimento do Poder Judiciário, não só no Brasil, que merece uma atenção especial. Como estamos no olho do furacão, penso que não temos ainda o necessário distanciamento para uma análise mais aprofundada.

Temos que levar em consideração que os desdobramentos de posições e decisões que respaldam, neste momento, o Estado democrático de Direito, ainda terão que ser confirmados. E mesmo acompanhar o natural confronto que os demais Poderes propiciarão. O jogo está sendo jogado.

Muito já se escreveu sobre o enorme e preocupante crescimento da extrema-direita no mundo. Com métodos e estratégias que guardam alguma semelhança, o fascismo vai fincando suas garras em vários países e demonstrando ser uma cadela sempre no cio, como alertava Brecht. No Brasil, a onda fascista se fortaleceu com o domínio das redes sociais, com uma determinação de, sem nenhum critério ético, disseminar mentiras e criar uma realidade paralela.

O caso bolsonarista merece um estudo à parte. Conseguiram estruturar uma metodologia de verdadeira lavagem cerebral. Uma imensidão de vazios. Um grupo sem capacidade de questionamento que segue fielmente as verdades encomendadas.

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Durante o iter criminis da tentativa de golpe, foi bizarro ver os bolsominions prestarem continências a pneus nos acampamentos nos quartéis, usarem os celulares para se conectar a extraterrestres, renderem-se, acriticamente, às redes de extrema-direita, que difundiam notícias sem qualquer tipo de critério, senão fortalecer o sentimento de bando, de gado. E olhe que os líderes brasileiros, em regra, a começar por Bolsonaro, são indigentes intelectuais.

Por isso, é importante ressaltar a posição do Poder Judiciário. No Brasil, a tentativa de instaurar a ditadura, com a ruptura violenta da democracia, deu-se em condições quase que de uma tempestade perfeita. Vivíamos sob a égide de um Executivo fascista que solapava, dia após dia, todas as conquistas democráticas e humanistas. Saqueava-se o Estado. O governo havia sido militarizado já como parte da estratégia golpista. Por outro lado, o “orçamento secreto” alimentava uma perigosa cooptação do Legislativo. Os que não eram cooptados eram coniventes. Claro que há exceções, até para confirmar a regra.

Nesse conturbado quadro, o golpe se fortalecia com o diário esgarçamento das estruturas e instituições democráticas. Uma das principais estratégias golpistas era desmoralizar o Poder Judiciário. A desmoralização leva a um inevitável enfraquecimento. Daí, a importância fundamental da posição adotada pelo Judiciário, especialmente pelo Tribunal Superior Eleitoral e pelo Supremo Tribunal Federal.

Um poder tradicionalmente patrimonialista, racista, misógino e conservador foi o responsável por colocar o pé na porta e garantir a estabilidade democrática. Liderou as instituições na defesa do Estado democrático de Direito. Impediu a ditadura. A história há de fazer justiça a essa atitude.

Ao mesmo tempo, é importante acompanhar o que se passa nos EUA. A atitude agressiva, até surpreendente, do governo Trump, afrontando a tradicional estrutura da democracia estadunidense, causou espanto e preocupação internacional.

Ainda nos primeiros dias de governo, foram baixados decretos que mitigavam, em boa parte, a democracia interna daquele país. Nem me refiro à política externa de confronto. E, de maneira também surpreendente, foram juízes de 1º grau que defenderam a Constituição e tentaram dar um freio aos abusos do Executivo. Em um país onde a Corte Suprema é tradicionalmente alinhada fielmente ao chefe de Estado, foi uma boa surpresa e uma lufada de esperança.

Agora, a boa notícia vem da França. O país que se notabilizou por ser o berço e o guardião das liberdades democráticas vive hoje sob a sombra inquietante do crescimento da direita mais radical. Pois o Judiciário francês que acaba de proferir um forte golpe no fascismo, com a condenação a 5 anos de prisão, sendo 2 anos com cumprimento imediato, e tornando inelegível a líder de extrema-direita Marine Le Pen.

É óbvio que existem indivíduos nessa área ávidos a ocupar o espaço. Mas essa é uma outra análise. O que nos resta refletir é como e por qual razão o Judiciário, nesta quadra histórica de recrudescimento mundial do extremismo de direita, resolve se colocar como o guardião das conquistas e liberdades democráticas.

Eu, que sempre fui um crítico do Poder Judiciário, rendo minhas homenagens e espero a volta sedimentada da estabilidade democrática para retornar a criticá-lo. É hora de discutir esse fenômeno e tentar entendê-lo. Mas, sobretudo, é hora de nos posicionarmos ao lado dos que defendem e garantem a democracia.

Lembrando o velho Rui Barbosa: “As constituições não se adotam para tiranizar, mas para escudar a consciência dos povos”.

FONTE: Pensa Piaui

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