
Machado, aliado de Bolsonaro, foi preso nesta manhã no Recife. Na última terça, ele disse ao UOL que ficou sabendo da investigação pela imprensa e que não foi a consulado nenhum.
Cid admitiu que solicitou cidadania portuguesa em 2023, mas que não tinha conhecimento da iniciativa de Machado. Ao STF, a defesa de Cid disse que o pedido foi em 11 de janeiro de 2023 —logo depois dos atos golpistas de 8 de janeiro. Segundo o advogado Cezar Bittencourt, o pedido foi feito "única e exclusivamente" porque a esposa e filhas de Cid já têm a cidadania.
Família de Cid deixou o país. A operação de hoje acontece após a PF detectar que os pais, a esposa e uma das filhas do tenente-coronel foram para os Estados Unidos no dia 30 de maio. Segundo a defesa, eles foram visitar a filha mais velha do casal, que mora em Los Angeles, e não há nenhum impedimento judicial para a viagem deles. A filha mais nova ficou em Brasília com Cid.
PGR pediu as prisões de Cid e Machado após saber da viagem da família do tenente-coronel ao exterior. O Procurador-geral da República, Paulo Gonet, fez o pedido ao STF com base em informações fornecidas pela Polícia Federal ao longo da semana. A PF levantou a hipótese de que ele poderia procurar outras embaixadas e consulados para conseguir a emissão do passaporte para Cid.
A delação de Mauro Cid é central para a denúncia da PGR contra os acusados de tramarem um golpe de Estado. O ex-presidente Jair Bolsonaro, Mauro Cid e mais seis aliados são acusados de cinco crimes: organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Se condenados, as penas somadas para cada um podem chegar a 46 anos de prisão.
Cid foi interrogado pelo STF nesta semana, e pontos da delação e do depoimento são contestados pelos demais acusados. Bolsonaro, por exemplo, disse que não tratou de golpe, como delatou o tenente-coronel, e apenas discutiu "hipóteses previstas na Constituição" com os comandantes das Forças Armadas.
Ele já foi preso em 2023 e 2024. A primeira vez foi sob a acusação de ter fraudado o cartão de vacinação. Ele ficou preso por cinco meses, e foi solto cinco meses depois após fechar o acordo de delação premiada. A segunda foi por causa de áudios vazados de Cid, criticando o STF e a PF e dizendo que teria sido coagido em seus depoimentos. Depois de dois meses, ele foi solto e disse que as mensagens foram apenas "desabafos" e não correspondem à verdade.
Colaboraram Mateus Coutinho e Natália Portinari, do UOL em Brasília.
